Wilton DaherNada é permanente, exceto a mudança. (Heráclito, 535 a.C. – 475 a.C.)

Impulsionados pelo mundo digital, novos formatos mentais e empresariais firmados em inovadoras estratégias de relacionamentos se consolidarão. Teletrabalho, teleconferência, rede de informação, bancos de dados compartilhados, algoritmo, inteligência artificial, medicina não-invasiva, biotecnologia e “uberização” são alguns exemplos. Novos softwares vão impactar a maioria dos negócios e nenhuma área de atividades estará a salvo dessa revolução tecnológica.

Nos últimos cinquenta anos, intervalo de tempo insignificante na história da humanidade, a sociedade contemporânea assistiu a grandes e inimagináveis mudanças. Outras, bem mais impressionantes, virão – para os “prazeres e dores” da própria humanidade. Entretanto, agora suportada por “tecnologias de crescimento exponencial”, notadamente ante a descoberta do grafeno, do avanço da nanotecnologia e da robótica.

O grafeno, substância derivada do grafite, é um milhão de vezes mais fino que um fio de cabelo, condutor elétrico 1.000 vezes mais eficiente que o cobre, 200 vezes mais forte que o aço, 100 vezes melhor que o silício e 7 vezes mais leve que o ar (um metro quadrado pesa 0,77 miligramas). Ademais, é impermeável, translúcido, maleável e ultraflexível. Sua descoberta (em 2004) é considerada uma nova revolução na área de tecnologia diante das inúmeras possibilidades de aplicações.

Cientistas já estudam a possibilidade de tornar a internet mais rápida; celulares transparentes, flexíveis e da espessura de uma folha de papel; bateria de carros elétricos mais duradoura; aviões e carros mais leves; cabos de internet que irão armazenar 500.000 músicas em um segundo; filtros capazes de eliminar qualquer impureza, inclusive o sal. O uso do Grafeno já transforma e influencia o dia a dia das pessoas. Em 2012, houve registro de 2.024 patentes de protótipos de produtos com o uso dele.

A nanotecnologia é um campo em que diversas disciplinas interagem, como química, física, engenharia, biologia e ciência dos materiais, com o objetivo de manipular a matéria, reorganizando átomos e moléculas. Estima-se que 2015 tenha gerado um trilhão de dólares no mercado global, empregando 800 mil trabalhadores nos Estados Unidos da América e dois milhões no mundo.

Quanto aos robôs, eles tendem a ocupar ainda mais o lugar do ser humano, a exemplo da impressora 3D. O equipamento revoluciona tanto a indústria (no processo de produção em massa) quanto a medicina (ao fabricar os mais variados tipos de próteses).

A Pesquisa Anual Global 2016, da consultoria PwC, revela que 81% dos líderes disseram que os avanços nessa área transformarão seus negócios nos próximos cinco anos. Será praticamente impossível interagir com os consumidores sem recorrer à tecnologia.

Para sobreviver nesse cenário, as empresas precisarão entender que hoje o poder está, de fato, nas mãos dos consumidores. Segundo a própria PwC, a aceleração dos avanços nas empresas mais inovadoras se expandem 16% mais rápido do que as que não se preocupam com o tema.

A KODAK, por exemplo, em 1998, tinha 170 mil funcionários e vendia 85% do papel fotográfico utilizado no mundo. Em apenas três anos, por não ter inovado, seu modelo de negócio foi extinto e a empresa desapareceu. O mesmo acontecerá com muitos negócios e indústrias nos próximos 10 anos.

Estudos de especialistas revelam que um de cada quatro empregos conhecidos hoje será substituído por softwares e robôs até 2025, com tendência de crescimento. A tecnologia ameaça não apenas trabalhos braçais, mecânicos e técnicos, mas também profissionais de carreiras tradicionais, como medicina, jornalismo, engenharia e direito, principalmente em decorrência da plataforma Watson, da IBM, com base na tecnologia de computação cognitiva, aplicável a doze atividades profissionais.

É impossível competir hoje em dia sem responder às mudanças tecnológicas que estão acontecendo à nossa volta, o tempo todo e de forma avassaladora. O futuro será muito mais surpreendente do que presenciamos. As revoluções científicas e tecnológicas brotam discretamente, sem ufanismo. E assim, já ingressamos na era da Quarta Revolução Industrial.

Wilton Daher
wd@accvia.com.br
Vice-presidente do IBEF Ceará e mestre em administração