UMA RADIOGRAFIA DA CRISE BRASILEIRA

/, Destaques/UMA RADIOGRAFIA DA CRISE BRASILEIRA

UMA RADIOGRAFIA DA CRISE BRASILEIRA

Luis EduardoA resiliência da atual crise econômica, claramente a reboque de razões políticas, cada vez mais me convence que estamos novamente buscando soluções corretas para os problemas errados. Ninguém refuta que temos um problema sério na Previdência, por exemplo. A questão é que, uns questionam quem propõe, outros questionam quem julga, outra parte não quer perder privilégios e nada proveitoso é feito.

A radiografia que faço da atual crise brasileira identifica uma série de problemas que se ampliam e reforçam. E cada um desses problemas exige uma solução específica, muitas delas conflitantes entre si, mas que precisam ser enfrentados. Por isso, a questão só pode ser encarada na visão política com P maiúsculo, como definida por Aristóteles, quando a considera a “arte do possível”. Escolhas precisam ser feitas, não para atender os anseios de uns ou manter os privilégios de outros, mas escolhas que possam ser sustentáveis a longo prazo e não sendo mais um remendo a se esgarçar na primeira adversidade.

A primeira questão a enfrentar é que temos um Governo que gasta muito e gasta mal. É urgente o redimensionamento dos gastos públicos a um limite suportável pela sociedade, mesmo que isso venha a requerer uma nova Constituição e, possivelmente, novos políticos. O descontrole nos gastos públicos, por sua vez, estimula as más práticas e abre espaço para os bandidos, internos e externos, que ampliam mais ainda os gastos.

O que leva a outra questão prioritária, que seria fazer com que o Judiciário funcionasse normalmente. É, no mínimo humilhante, viver numa sociedade em que os criminosos preferem ser julgados – sem direito à recurso – pela mais alta corte de justiça, do que desfrutar do julgamento com duas instâncias a recorrer. Isso só faz sentido se acreditarem que não serão julgados pela mais alta corte, assim como a imensa maioria dos anteriores não foram. Isso significa alterar tudo o que for necessário alterar para que a Justiça efetivamente atue, isto implicando numa nova Constituição, se for o caso, bem como o remanejamento dos ordenamentos e gastos públicos que forem necessários para assegurar aos cidadãos o direito fundamental à Justiça.

A política partidária é outro problema que precisa ser enfrentado objetiva e corajosamente. Variedade excessiva de partidos e campanhas eleitorais caríssimas exigem recursos, ultrapassando em muito a capacidade financeira dos eleitores e partidos, desencadeando os crimes comprovados todos os dias na Lava Jato além da falta de representatividade dos eleitos.

A questão trabalhista é outro tema fundamental que não pode mais ser adiado. Temos uma população enorme, que precisa de emprego para poder pagar suas contas e sustentar as despesas públicas. Não adianta querermos tapar o sol com uma peneira dizendo que temos uma das melhores legislações trabalhistas do mundo. O fato é que precisamos de muito, muito mais empregos. Para isso, precisamos criar uma ambiência adequada para estimular a geração de empregos. Quem se dispõe a correr riscos para gerar empregos precisa ser apoiado como herói e não tratado como bandido. Os bandidos, de todas as categorias, deveriam ser problema da Justiça.

Os problemas não são somente esses. A falta de segurança, apouca confiança para investir, a precariedade da saúde, educação e infraestrutura são decisivos. Mas, se, pelo menos os problemas cruciais, forem tratados corretamente, os demais serão equacionados com menos dificuldades.

 

Luís Eduardo Barros
Vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-Ce)
lefbarros@gmail.com

2017-10-24T03:33:58+00:00 maio 16th, 2017|Categories: Artigos, Destaques|
X