Após divergências, Selic fica em 14,25% ao ano

Após reunião, nesta quarta-feira (25), do Comitê de Política Monetária (Copom), foi mantida a taxa de juros Selic em 14,25% ao ano. Dois diretores,  Tony Volpon (de  assuntos internacionais) e Sidney Corrêa Marques (de organização do sistema financeiro), votaram pelo aumento dos juros para 14,75% ao ano, mas a maioria decidiu pelos 14,25%.

A decisão não unânime foi a primeira desde outubro de 2014, após a retomada do movimento de alta do Banco Central, aumentando a Selic de 11% para 11,25%. Agora, o colegiado volta a se reunir nos dia 19 e 20 de Janeiro de 2016. Até lá, tal decisão dá ao BC liberdade para calibrar sua atuação e possíveis sinalizações até o encontro de janeiro, além de poder ajustar sua política conforme a decisão que for tomada durante a reunião do Federal Reserve (Fed), no dia 16 de dezembro.

O resultado do comunicado e o fato da decisão não ter sido unânime reforçam a hipótese de um novo ciclo de aperto monetário em 2016, segundo avaliação da economista do Santander, Tatiana Pinheiro.

“O comunicado traz uma sinalização clara de que o plano de voo anterior  mudou e a manutenção da taxa básica de juros já não parece ser suficiente para um grupo de pessoas do BC”, diz.

Para Rodrigo Alves de Melo, economista, havia uma expectativa de mudança no comunicado da reunião visando incorporar o discurso do diretor de política econômica, Altamir Lopes, no começo do mês. Fica a dúvida se a influencia da unanimidade vai interferir ao ponto de inverter a situação.

Sabe-se portanto que o voto contrário de Volpon não foi surpresa, já que o assunto foi tratado em palestra no início do mês e o mesmo afirmou que o BC deveria trabalhar para garantir a convergência da inflação para 4,5% o mais breve possível. O mesmo acontece para o diretor Marques, que também não surpreende, com um histórico de votação pela elevação dos juros em outros momentos em que houve dissenso.

2015-11-26T22:58:57+00:00