Na mira dos estrangeiros

* Por Augusto Sales

Inflação em alta, Produto Interno Bruto (PIB) em queda e taxa de desemprego em crescimento. Esse tem sido o cenário econômico brasileiro nos últimos meses. Se de um lado, o contexto tem sido pessimista para os investidores brasileiros, por outro, esse tem sido o momento de grandes oportunidades para os estrangeiros que querem adquirir uma fatia do mercado brasileiro.

É bem verdade que o Brasil nunca saiu do radar dos investidores de fora, mas dessa vez, o que vimos é que eles mudaram a estratégia para entrar no país. Anteriormente, eles até se arriscavam em adquirir e começar um novo negócio no país e começar do zero. Mas agora, o forte é o movimento de aquisição de empresas, algumas com a corda no pescoço por causa de fatores como aperto de caixa, restrição de crédito, venda em queda e de redução de funcionários. Um cenário bem diferente de cinco anos atrás quando o crescimento estava em ritmo acelerado e o contexto era de expansão. Com isso, o que temos são bons ativos à venda com preço bem inferior do que de alguns anos atrás.

Além disso, o interesse de grandes empresas de fora por aquisição de brasileiras se dá também por um outro motivo relevante: a desvalorização do real frente ao dólar fez com que aumentasse o poder de compra dos investidores e deixou as projeções hoje mais realistas no Brasil. Para se ter uma ideia dessa proporção, há casos em que com o mesmo dinheiro comprasse dois ativos iguais.

Esses dois fatores deixaram o Brasil ainda mais atraente para muitos investidores, a maioria deles americanos e europeus, e que em algum momento do passado já haviam demonstrado interesse em entrar no país. Momento ideal para uma abordagem oportuna dos estrangeiros que podem aproveitar as pechinchas numa espécie de xepa nacional de empresas. O apetite dos empresários de fora é tão grande que empresas brasileiras têm sido vendidas em tempo recorde como o que aconteceu com a Rede D´Or de hospitais que foi adquirida por um grupo internacional em poucas semanas. Em setores, como o de consumo, o interesse também se mantém grande apesar do registro na queda no poder aquisitivo dos brasileiros.

Outra particularidade desse momento que o país está vivendo é que, pela primeira, vez, a questão do ambiente político vem sendo citada como uma barreira para quem quer investir no Brasil. Mas que, apesar disso, eles acreditam que essa questão não atrapalha quem tem apetite para o médio e longo prazo. Para isso, pesa o fato de termos instituições fortes e uma democracia consolidada.

De forma geral, o país está vivendo um momento oportunístico e que, por isso, continua atraindo investidores qualificados, que também apostam em países como a China e a Índia. Apesar dos prós e contras, de certo sabemos que o Brasil é estratégico para quem pensa grande.

* Augusto Sales é sócio da KPMG na área de Estratégia e especialista em Fusões e Aquisições

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2016-01-14T12:48:29+00:00