A EDUCAÇÃO BÁSICA E O EMPREENDEDORISMO

Enquanto o mundo experimenta transformação de vulto em seus mais variados aspectos, convulsionado pelas incertezas que a tecnologia de ponta suscita nas profissões tradicionais, provocando apreensões, a sociedade brasileira descuida da importância que a educação básica tem como norteador dos alicerces dessa mudança de rumo via empreendedorismo, porta de entrada mais segura para o que nos reservam as próximas décadas.

Nesse contexto, vale lembrar que o orçamento anual destinado à Educação, no Brasil, em torno de 120 bilhões de reais (1,8% do PIB nacional de 6,8 trilhões de reais), praticamente alocado em partes iguais para o ensino fundamental e superior. Especialistas, contudo, entendem que  parcela maior deveria contemplar o ensino fundamental ante a precariedade do ensino básico em grande parte dos nossos municípios colocando o Brasil no desconfortável 119º. lugar na classificação dos países com deficiência na qualidade do ensino básico.

Mesmo diante das adversidades há exceções e o Estado do Ceará parece ser uma delas.  O último ranking do IDEB- Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, elaborado pelo Ministério da Educação, aponta que no ensino dos cinco primeiros anos escolares, 77 das 100 melhores escolas públicas brasileiras são cearenses.

Por sua vez, o ensino público universitário daqui segue semelhante trajetória de excelência. Recente edição do Leiden Ranking (Departamento de Pesquisa da Universidade de Leiden, na Holanda) revela que a Universidade Federal do Ceará UFC obteve o 1º lugar dentre as 23 universidades brasileiras mais destacadas na produção de artigos científicos de “impacto global” (mais citados) para o desenvolvimento da ciência, com 1.629 publicações. Para efeito de comparação, a conceituada Universidade de São Paulo USP ocupa o 9º. lugar, mesmo tendo produzido 16.800 artigos, o que atesta a máxima de que “quantidade nem sempre é qualidade”.

Tal desempenho, entretanto, não deve ser motivo para acomodação, no pressuposto de que tudo está perfeito. O importante é aproveitar a atmosfera positiva que nos remete ao tema educação, principalmente a fundamental, base de tudo para o desenvolvimento humano, principalmente quando focada para o empreendedorismo.

Este entendimento está em alinhamento com o jornalista e escritor americano Thomas Friedman, que em artigo para o jornal The Ney York Times, em 2000, defendeu a tese “de que todos os alunos do ensino médio e fundamental deveriam ser estimulados a criar suas próprias empresas”. Para ele, o desenvolvimento do pensamento analítico, do trabalho em conjunto e do exercício prático em sala de aula seriam o futuro dos jovens que lutam bravamente para se inserir no mercado de trabalho que se afigura complexo e volátil.

No mesmo diapasão, a pesquisadora Aline Dal Magro, diretora de Estratégias do Instituto Singularidades, ressalta que o mundo moderno busca por cidadãos que consigam resolver seus problemas por meio de atitudes inovadoras, colaborativas, interdependentes, mediante soluções construídas em grupo. Sinaliza, ainda, que outra possibilidade pedagógica para se aproximar da cultura da inovação é o ensino hibrido que integra tecnologias digitais aos recursos tradicionais de sala de aula, onde a escola prioriza componentes curriculares das ciências, da tecnologia, da engenharia, das artes e da matemática, saberes indispensáveis a uma formação consistente.

Nessa linha de ação, a sociedade cearense está atenta e atuante quer pelo envolvimento do setor público, quer por iniciativas de sociedades civis. Como exemplo, destaca-se o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF). Há três anos realiza admirável trabalho social ao desenvolver ações voltadas à difusão da importância da Educação Financeira como ferramenta de planejamento dos recursos disponíveis, utilizando-se de palestras em empresas, prestação de assistência individual a consulentes, divulgação do tema em várias mídias. Por último, realização de talk show, distribuição folders  didáticos e da Cartilha Educação Financeira Infantil, de autoria da Ibefiana Darla Lopes, em evento de grande sucesso realizado ao longo do dia no Shopping Del Paseo, em 22 de maio de 2019.

De igual forma, outra iniciativa louvável e bem-sucedida foi o IV Starup Kids, em 25 de maio, no Shopping Iguatemi, onde crianças na faixa de 5 a 10 anos exercitaram suas habilidades na arte de empreender, de investir, de lidar com parceiros e de persuadir clientes. Uma graça! Um aflorar de talentos.

Por outro lado, e não menos importante, é o reconhecido trabalho do SEBRAE-CE no desenvolvimento das melhores práticas de gestão, com cursos e oficinas de empreendedorismo. Não à toa o Ceará tem cerca de 264 mil inscritos no cadastro de microempreendedores. Entretanto, para esse público, pesquisas indicam que o maior desafio ainda se encontra na gestão financeira do negócio, sendo esse o foco utilizado pelo SEBRAE no direcionamento de suas ações.

De tudo quanto precede, é razoável inferir notáveis avanços no segmento do empreendedorismo cearense em futuro breve, desde que mantida a premissa de que é a educação, notadamente a básica e a fundamental, o principal vetor de criação e sustentação  da riqueza do  nosso Estado e da nossa Nação.

Wilton Daher
wd.daher@uol.com.br
Diretor do IBEEF-CE

2019-07-25T20:29:45+00:00